De manhã cedinho,
a xícara quente entre as mãos.
Vapores desenhando o nada.
E, por um segundo,
tudo parece em suspenso.
Não há resposta.
Não há sinal.
Não há pressa.
Só a vida,
miúda,
repetida,
teimosa.
Talvez viver seja isso...
Repetir o gesto
sabendo que ele não resolve tudo.
Mas, ainda assim, fazê-lo.
Preparar o café,
abrir a janela,
olhar para fora.
Sem promessa de sentido...
Mas com presença.
E já tem uma coragem silenciosa nisso:
uma forma de permanecer
mesmo quando nada se revela.
Comentários