Nem toda lágrima
que escorre pelas pétalas
nasceu da dor.
Há gotas que surgem
quando a rosa se entreabre
sob a carícia demorada do vento
e já não consegue esconder
aquilo que floresce em seu interior.
Primeiro, um leve tremor.
Depois, as pétalas se afastam
como quem abandona, aos poucos,
a própria resistência.
O perfume se torna mais intenso,
o caule estremece
e a rosa inteira se entrega
à linguagem secreta do toque.
Então ela chora.
Não de tristeza,
nem por ter sido ferida,
mas porque existem delicadezas
que despertam nela
uma primavera impossível de conter.
Suas lágrimas mornas
deslizam pelas dobras mais íntimas,
repousam nas curvas
e revelam, em silêncio,
que o prazer também transborda.
Quem observa de longe
talvez diga que é apenas orvalho.
Mas somente a rosa
e o vento que a percorreu
conhecem a verdadeira origem
daquelas gotas.
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