Quando a malícia ronda,
eu sinto:
não é pedra,
é veneno miúdo do convívio,
e eu protejo a brasa
com mãos cansadas.
Mas nem toda aproximação
é ameaça;
há mãos que não medem,
só seguram.
Se eu me fechar demais,
viro pedra também.
Então eu respiro,
sigo de pé,
mas deixo uma fresta aberta
pro silêncio bom
dos que ficam.
Eu fico,
brasa quieta
que não se entrega.
Sob as cinzas,
um calor
que poucos adivinham.
Quem toca
descobre que ainda queimo;
quem sopra
desperta a chama
que o silêncio guardou.
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